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desejado




porque há aquelas partes do tempo em que vives, que tens de passar. e não há poder para impedir de entrar, agarrar, espalhar e contaminar. aquelas que te fazem conhecer os teus limites, os limites dos outros. e há dias em que és de elástico e chegas onde nunca pensaste chegar, e há dias em que te transformas em pedra dura, onde nem a acidez da lágrima que força, é capaz de corroer a culpabilidade do correr dos dias. e pareces cristalizar. em ti, nos minutos e no espaço desse mundo que não entendes mas que tenta entender-te a ti.

alternas facilmente entre o preconceito de ti e a plenitude do que imaginas um dia poder vir a existir. acabas por deixar a vontade por detrás de um qualquer beco e deixas-te consumir pela possibilidade de, afinal, algo surgir pintado do mundo inesperado. desejado.


o que é que nos falta, quando queremos a outra metade do tudo ?

ontem à noite tive a pálida sensação de te ter visto. mas, afinal, eras apenas o fruto daquilo que não aconteceu. e eu jantei ali, sozinha e do teu lado, uma comida que, pelo tempo, parecia já não existir 

é meu desejo

que recebas da chuva aquilo que o vento não traz ...

vezes dois .

deve ser disto que são feitos os sonhos .(pesadelos?)
fazemos asneira atrás de asneira e ficamos à espera que alguém se dê conta entretanto, para não termos que ser nós a abandonar.
às vezes é mais fácil pensar que vamos ser julgados pelo crime, em vez de ter de confessar a intenção.
e nem sequer sei, no meio de tudo isto, se quero mesmo cumprir pena.

butterfly effect

momentos de fraqueza.
de ingénua certeza, seguidos destes soluços de incerteza. Quanto a ti e quanto ao mundo.
sei que quero ficar aqui, onde que aqui seja. e, no entanto, não deixo de temer que as vontades sejam feitas apenas da rapidez das palavras e que as demonstrações minhas não deixem de ser fruto do conteúdo vazio por demasiado tempo.
aquilo que aquece muitas, e a maioria, das vezes, disfarça inconsequentemente tudo o que simples e repetidamente não desaparece
( ou aparece em jeitos de intervalos sem se revelar por demasia, lavando a abandonar irrepetidamente os cortejos ).

e a teimosia, no final de contas, deixa sempre pontas por atar.