porque há coisas que ..

o díficil é lembrar que ainda não desapareceste do meu imaginário de cores berrantes e sons adormecidos. fácil, mesmo, seria fingir que não existes. que não exististe. mas a minha capacidade de inventar ficou esgotada juntamente com a de te perdoar.

e agora ?

tenho saudades tuas.
daquelas a virar para o lado mais agressivo da questão.
das que provocam uma taquicardia (pouco) ligeira, aumentam a frequência respiratória e deixam um nó na garganta.
um pequeno grande vazio cá dentro.

tenho destas saudades.
o que faço se não to posso dizer ?

frases do facebook

' um dia digo.te a importância que tiveste '

tá prometido.

está a começar a ser difícil a espera


" Não achou resposta, as respostas não vêm sempre que são precisas, e mesmo sucede muitas vezes que ter de ficar simplesmente à espera delas é a única resposta possivel."


Ensaio sobre a Cegueira

recessividades

venho por este meio desafiar todos os biólogos e geneticistas do mundo (e, quiçá, arredores) a descobrir o gene feminino do "complicador".
digo feminino porque, claramente, toda a mulher nasce com o "complicador" incorporado, pronto a entrar em acção a qualquer momento.
se é recessivo ou não, não sei.
hesito.
talvez seja dominante dado a quantidade enorme e infindável de coisas, momentos, palavras e situações que podem despoletar uma crise aguda de complicadice.

seja porque imaginou A, queria que respondessem B, ouve C mas deseja D.
seja porque acha que os cabelos, de vez em quando, de manhã ganham vida própria e que, se alguém, lhe dirigir um mero 'bom dia', na verdade, está a pensar mal dela e portanto é uma sacana egoísta e invejosa (versão feminina) ou um cabrão ordinário cavageste daqueles versão bem antiga (versão masculina).
seja porque escolheu o azul, a pensar que o verde não seria bom, mas quando na verdade queria o amarelo, isto porque tinha medo de ter que vir a escolher o laranja.
seja porque foi à janela e inspirou fundo de mais.
seja porque lhe falta o ar ..
seja porque sim ..ou porque não.

a mulher é complicada mesmo.
não que o homem não seja. às vezes também o é (é por esta razão que eu digo que as leis da natureza nem sempre são perfeitas) mas basta depois dar-hes um sofázinho com imperial (whisky sem gelo para os mais selectos) e está tudo bem.
que me perdoem os homens. não pensem que com isto vos estou a reduzir a seres facilmente satisfeitos e bastante básicos. nada disso. era até uma forma (distorcida) de elogio escondido.
o problema não está em vocês. está, claramente, em nós !

porque primeiro não queremos nada. e não queremos que vocês queiram alguma coisa.
depois já queremos tudo. e ficamos danada por vocês quererem simplesmente o copo meio cheio.
se querem de mais, criticamos porque nos sugam.
se querem ir a meio gás, não ficamos nada contentes porque não se decidem.

se olham e comentam, é porque nunca estão satisfeitos com a produção.
se não dizem nada, é porque são demasiado distraídos e não ligam nenhuma.

queira alguém entender isto ...

eu própria, na minha condição de mulher, já desisti de querer entender.
a mim e a este género ao qual pertenço.

haja algum cientista que me faça entender isto!

(des)equilíbrio.

" todos nós dependemos dos outros para ser ainda mais felizes ". 
Raquel

dizia eu ontem à T. que nenhum Homem é uma ilha.
dizia-me o J. no outro dia que nenhum Homem é uma ilha, mas que ele era um arquipélago.

não quero ser ilha. nem arquipélago. quero ser continente rodeada por mil oceanos.

não fosse eu ser ateia ..

--não percebo.
desde pequenina que sempre pensei que os gigantes eram imortais! pelo menos quando via as imagens nos livros coloridos eles eram sempre invencíveis e nada os detinha ...
eu cresci a acreditar nisto!

e hoje tenho a maior desilusão da minha vida ao descobrir de forma abrupta, diria até repentina e quase desumana, ainda enramelada com a falta de orientação de quem acaba de acordar, que, afinal, os gigantes morrem ... um murro no estômago ... caiu-me uma lágrima. pequena. mas sentida.
tive vontade de fazer beicinho, olhar para a minha mãe e perguntar 
" -mas porquê, mãmã? ",
não fosse eu não tratar a minha mãe por mãmã e não fosse também eu suspeitar que a resposta dela fosse algo semelhante a 
" -esse comuna só peca por tardar! " 
com uma voz semi-enraivecida.

então passei o dia todo a tentar descobrir como é que um génio do tamanho de mil e uma palavras pode morrer assim!
como?
como é que alguém que vê o que a cegueira não deixa, que vive o que a morte vai deixando, nos abandona assim?
então e os livros que ainda não li ? os que ainda não escreveu ? os que ainda não pensou e os que imaginou?
mas ele ainda tava bom ! não tava 'dessaranjado' ! ainda escrevia .. muito ..e bem ! e muito bem !

e eu que tinha a certeza (das absolutas quase sintéticas) que os gigantes tinham um acordo com a morte e que ela no dia de os vir buscar se enganava no gps ...

não fosse eu não acreditar no deus, pedia-lhe agora para, na eternidade, me dar um cantinho perto dele. assim podíamos ir tomar chá e comer bolinhos e passar tardes e tardes a discutir temas pseudo-intelectualóides de elevado interesse e baixa audiência.

assim sendo só tenho a dizer: Vais fazer-me falta Zé !

your body is a wonderland .

porque é que gostamos ainda mais deles quando nos dão para trás ?

[ eu cá suspeito que as mulheres nascem com o gene do SM ].