já não sei de quando [e então]


..e então 'as vezes ponho-me a pensar, porque hei-de eu buscar aquilo que nem sequer sei se em mim quero .
e eventualmente surgem aqueles momentos em que só me apetece atravessar as pontes que de mim crio e desligar o interruptor daquilo que serão os gestos (não) pensados e possivelmente nunca ensaiados nos palcos de giz transparente. mas acabo por não desligar, e chego à margem que não sei conhecer, mas que imaginei e criei e que por isso existe por entre os segundos que nela intercalam e se balançam. suspendo-me nas cortinas riscadas pensando que este será o ultimo momento da peça, e quando minha boca se prepara para ouvir aquela que seria escrita a minha ultima fala, já meu corpo se dirige para o prefácio. rescrito e revisitado vezes sem conta pelas pontas dos meus (seus) dedos.
e mesmo quando surge aquela ansiedade de querer entender e explicar aquele vontade insípida de sabor flutuante, mas que não quero, não posso, deixar de sentir, a tentativa de virar os pés para o deserto e deixar o momento é totalmente inoportuna e minha pele ignora-a como que se de um ponto final abandonado se tratasse.
porque quando as palavras deixam de existir, e apenas o calor se ouve, não é meu pensamento que (te) responde mas sim todas aquelas porções, ínfimas e escondidas, que a mim me fazem e que de mim existem.
..e então às vezes ponho-me a pensar, porque hei-de eu buscar aquilo que nem sei se em mim quero .
e eventualmente as imagens do que pretendo largar cravam-se em mim como se o suor permitisse o não despegar do tempo. e, apesar de as mãos buscarem esses papeis a preto e branco para os largarem nos ventos que trazem os cheiros que tanto (demais) conheço, perdem-se nos trajectos sombrios e perfeitos que a voz castiga. 

talvez seja o silêncio das coisas a mostrar que nem sempre o caminho marcado é o percorrido pelo infinito, talvez seja o escuro a dizer que a média luz exibe o que deseja ser por demais escondido.
talvez eu não queira saber .

..e então às vezes ponho-me a pensar se o silêncio do escuro não será apenas o tempo daquilo que em mim adio, por saber que real, será apenas imaginado em mim.

talvez um dia mude de vida .

mudei de casa .
aqueles que o desejem perguntem para me seguir 

[ há algum tempo atrás que] já não sei quando mas estava aqui . e é sempre tão igual a todos os dias

sinto que tenho tudo isto cá dentro guardado. sinto-me a explodir de tudo aquilo que te quero dizer. de tudo aquilo que quero que oiças e compreendas. que não me interrompas. que não menosprezes e não rejeites.
mas não sei o que é tudo isto. está cá dentro e afoga-me, mas não sei o que é.
sinto-me cansada e sem vontade de acordar novamente todas as manhãs. cansada de me preocupar.
sei que tenho tudo aquilo que queria ter. o meu namorado, a minha casa, um trabalho. não gosto deste trabalho. não sei se alguma vez gostarei de algum trabalho. às vezes acho que só serei boa sempre a estudar. assim só me desiludo a mim própria.
estou sempre preocupada em fazer tudo bem, em manter tudo bem. cuidar de tudo. mal sei cuidar de mim própria.

sempre a preocupar-me se te vou deixar sozinho. o que vai acontecer ? tenho sempre o mesmo palpite e ele acontece sempre. vais beber. e o que vai acontecer com isso? vais ficar agressivo ? não vai acontecer nada ? vais habituar-te a beber pouco ? e o pouco vai ser todos os dias ?
nada te interessa. nada te parece interessar na vida. a não ser os filmes e os jogos. pouco interages e quando me mostras de ti é porque bebeste e eu tenho que te ouvir.
queria mostrar-te o meu mundo. mas nunca o vais conhecer.


cansada de ter que pensar no dinheiro, nas contas, nos teus problemas. gosto de fazer parte da tua vida e que faças parte da minha, mas quero ser a tua namorada, não a tua mãe a todos os momentos! quero poder sentir-me segura e sinto que sou eu que cuido de tudo. preciso também que sejas tu a cuidar de mim. preciso que cresças e penses nas coisas de crescido.



acho que não sabes viver sozinho. gostas de não viver sozinho mas, na verdade queres a tua vida, o teu espaço, a tua forma de viver e ver as coisas.

não me vejo a viver sem ti. nem sequer vejo razões para querer viver sem ti. mas, neste momento, também não as vejo para querer. amamo.nos. mas não estamos mais apaixonados. tive momentos vários em que acreditei que sim, mas agora já não sei sequer se terão sido reais.

arrependo-me de ter pensado que te perdia, que não me amarias mais se não cedesse à tua vontade de vir para esta casa. eu própria me convenci disso. gastei o que não queria ter gasto. comprei o que não queria ter comprado. não queria aquele tapete de madeira da casa de banho ! queria um sonho.
e agora já não consigo ter a certeza se ele se vai realizar.

sinto que sou para ti uma chata, rabujenta, sempre a refilar, sempre de trombras. sou a desmancha-prazeres desta casa, nunca satisfeita com nada. e, por um lado, dou-te razão. estou sempre preocupada. com mil coisas. Não consigo relaxar, não consigo divertir-me a 100%.

tenho medo que isso faça com que vás procurar novamente aquilo que não te dou. diversão, boa disposição, descontracção. alguém que te faça sentir bem. porque sinto que não o faço. por outro lado tenho vontade de pensar que sou capaz de aceitar essa condição de que ninguém muda totalmente e que serás sempre aquele que precisa da atenção das mulheres à tua volta. acho que, se assim for, nada poderei fazer para as coisas serem diferentes. e nunca saberei. e prefiro não saber.
gostava que tivesses atenção àquilo que sinto. que não me dissesses sempre que já viveste ou estás a viver pior. já fui criança e sonhei para mim. e sinto-me muito tola por isso. os sonhos só são reais nos contos de fadas.

gostava de construir uma vida e uma família contigo. mas sinto que não estás preparado. nem sei se um dia estarás. dar a tua vida para a partilhar com alguém requer sacrificio. pensar em muitas coisas. arrumar. limpar. organizar. orçamentar. preocupar-se. e, ao mesmo tempo, ter tempo e vontade de dar tempo de si ao outro. e não se esconder.

criar uma vida requer ainda mais sacrifício. o sacrifício de uma vida. para o resto da vida.
tenho medo de pensar que "hoje" ainda não estamos preparados, mas que "amanhã" estaremos, e que isso nunca aconteça, mas que me deixa convencer que sim. não sei se pela ilusão, se pelo cansaço. e arrepender-me.
quero continuar contigo. quero continuar contigo aqui. e que continues aqui. mas tudo isto cá dentro sufoca-me e nem sequer consigo saber o que tudo isto é.

porque me dás a mão e me apetece fugir

porque é que me hei de importar ? no fim disto tudo que vai acabar por morrer, sou eu ..

and i would still forgive you

everything is a version of something else.

o silêncio que te incomoda

às vezes, simplesmente, não me apetece ter que lidar contigo.

enquanto continuo a pensar no fim

temos o mar como fundo e a nossa esplanada preferida como palco de conversa. digo.te que me senti enganada, no início não era assim, foi muito mau e tem vindo a melhorar .. mas a bola pesada de tudo o que passei por ti e contigo,( mesmo que o presente seja diferente), está a ser cada vez mais difícil de carregar.
dizes-me que me entendes. que sabes o que és. que sabes o que me fizeste. dizes que achas que não tenha que ser o fim e que se já entrámos na recta (muito afunilada) da melhoria, não faz mais sentido deixar pesar o passado. 
dizes-me que me dás razão. que queres e serás diferente. que já o estás a ser. que são passos pequenos e demorados mas que juntos chegaremos ao destino certo. e, aliás, mais importante é o caminho não o destino e que, assim, não estamos a aproveitar caminho nenhum.
e eu estou a deixar-nos presa no passado, com medo do futuro. estou a perder o presente contigo. e dou-te razão.
porque o meu medo é deixar que o passado seja esquecido, aproveitar o presente como fazia em tempos  e depois o futuro ser o maior trambolhão da história dos amores perdidos.
quero acreditar com toda a tua mesma certeza de que somos os dois feitos de coisas difíceis e impossíveis e que já passámos tanto que não há nada que não consigamos passar mais. quero acreditar nesses teus olhos verdes que me dizem que há uma possibilidade em nós e que é nela que vamos querer continuar a viver.
quero correr na praia, na areia, no jardim com os braços abertos e o coração cheio no peito, sem medos, sem preocupações, sem receios de que, um dia, tudo isto esteja destinado a acabar.

quatro de junho de dois mil e doze

cheguei, mais uma vez, ao quarto de hotel com a sensação de não ter sensação nenhuma. a viagem situa-se algures entre as doze horas de oportunidade para pôr em conversa em dia, acertar as horas de sono ou, simplesmente, não pensar em nada. normalmente todo o sentimentos de expectativa, nervosismo e antecipação que antecedem o dia da viagem desaparecem quando entro no carro alugado e volto a aperceber-me de que não tenho mão em nada-
nem nisto, nem na minha vida.
vou passando por momentos vários, mais ou menos como as estações do ano, só que muito rápido e sem sequer passar muito tempo pela primavera-verão. sempre me considerei uma alma de cores quentes mas, neste momento, vivo numa casa de campo outono-inverno onde o vento que se vai arrastando ao longo dos dias se junta ao gelo em que se tem vindo a transformar o meu coração.
tenho muito pouca vontade de visitas ao meu espaço e o meu espaço é cada vez menor para receber o que quer que seja.
é cada vez menor para mim própria.